SEM TITULO…

 

 

“O Paiz” foi sempre – sempre! – o jornal da reacção.

Ainda está na memoria de toda a gente o que elle, esse jornal dos cooperativistas e dos communistas á Lenine, fez contra a organização operaria, contra todos aquelles que por serem revolucionarios sociaes cahiram no desagrado do capitalismo dominante, na “black list” dos epitacistas da situação.

José Madeira, Pedro Monreal, Galeano Tostões, José Romero – e todos quantos naquelle tempo mereceram a distincção duma passagem nos porões do “Gelria” ou do “Arlanza” – foram as maiores victimas, o alvo mais directo dos adjectivos com que o jornal do sr. Lage monoseava, então, os nossos camaradas syndicalistas revolucionarios e anarchistas.

Ainda no tempo em que creou a sua secção operaria, “O Paiz” publicou a photographia de alguns daquelles deportados por questões sociaes, confundindo-os com “caftens” e indesejaveis da peor especie.

O proletariado teve sempre, pelo “O Paiz”, a repulsa que se tem pelo que é odioso, pelo que é abjeto, pelo que desagrada.

Só agora numa inexplicavel metamorphose, feito dum instante para o outro, orgão dos bolschevistas e dos cooperativistas de Estado, dos collaboracionistas e parlamentares “dum liberalismo indeciso”… “O Paiz” está sendo o melhor, o mais implacavel amigo dos trabalhadores.

Nelle collaboram, porém, os transfugas – sómente os transfugas e os falsos militantes e mentores do proletariado – contra quem é preciso que os nossos, os mais activos da organização syndical e da propaganda anarchista se precavenham!

Naquelle reducto se acoitam os reprobos da organização operaria; os opportunistas de todos os tempos; os agentes do governo e do capitalismo; os trahidores e os embusteiros da organização syndical e da propaganda, os Garroeiras, os Braúnas, os M.B., Manoel Sabará e M.S., os Belzbuth e tantos outros intrujões que não tiveram nunca a coragem de se descobrir para atacar os que sob inteira responsabilidade dos seus nomes descobrem e criticam, sem receio, os actos de seus adversarios!

E é preciso que se mostre, a claro, quem elles são e quem os agasalha.

É preciso desmascarar as patifarias e as malandragens, as tergiversações, os desvios, os falsetes, os retrocessos e o pulhismo dos boticaroides (*).

Marques da Costa

 

BOTICAROIDE – De boticaroide – Expressão pela qual ficaram sendo conhecidos no Rio de Janeiro, os transfugas do anarchismo, que se reuniamregularmente numa pharmacia da rua General Camara, afamada nos meios obreiros, em consequencia da infalibilidade das “xaropadas” e “injeções” de “Marx”, applicadas á todos aquelles que ali iam ou ousavam falar mal do bolschevismo (“Diccionario de Vocabulos Amarellaceos e Camaleonicos”).

 

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Patria (Rio de Janeiro), no dia 13 de maio de 1924.

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