POUCAS PALAVRAS…

 

Vou dirigir algumas palavras aos meus … adversarios. Poucas palavras, porque escrever muitas seria dar-lhes muita importancia … coisa que, absolutamente não teem. Apenas escreverei o necessario para mostrar que jamais temi “arreganhos” – e principalmente para mostrar, como tantas vezes o tenho feito, falando ou escrevendo, que não sou hypocrita. Sou o que sou: franquissimo – e vivo como vivo: à clarissima luz do sol que nos allumia…

Quando entrei para “A PATRIA” tive a franqueza de dizer aos directores deste jornal quaes idéas que professo; e além disso, esclareci desde logo que, não estando disposto a abdicar das minhas idéas, não me sujeitaria jámais a qualquer imposição, enfim, à satisfação de caprichos de quem quer que entendesse de os ter para me aborrecer ou prejudicar. E tracei, desde logo, a orientação desta Secção.

Ao que parece, esta orientação não agradou a todos. Pelo menos não agradou aos communistas bolchevistas; e dahi a politica infame que se faz ao redor do meu nome, em cartas, em artigos, em officios … e não sei se até em reponsos, em rezas, em feitiçarias…

Estou perfeitamente ao par do que a meu respeito fallaram dois pobres diabos exponentes do Partido Communista (em cujo seio me preso de ter bons companheiros de trabalho e bons amigos), e não é por tão pouco que me aborrecerei. Mas embora não me aborrecendo por tão pouco, lamento que sejam tão pusilanimes que não me digam de frente o que a meu respeito sentem e pensam.

Tambem sei dos propositos que certos secretarios de associações (secretarios communistas, por signal) alimentam a meu respeito. Mas saibam todos que nenhuma historia pegará. Aqui tambem me dispensam alguma autonomia – seletiva, é certo, mas sufficiente para que os meus adversarios não me atropellem com as suas intrigas. E assim, previno a todos que estejam na barricada inimiga, que eu jámais torcerei ante os seus desejos, tão cavillosos quanto inconfessaveis.

Saberei manter-me aqui de modo a prestar os serviços que julgo uteis para a organização obreira e para a propaganda libertaria – sem que a minha acção dê motivos a que o patrão me ponha na rua. E se para prestar esses serviços eu tiver que correr o risco de desagradar a este, paciencia, amigos. A casa é delle, não há duvida, mas a rua é nossa … e a cadeia tambem.

Que os communistas bolchevistas vão para o diabo, – “todinhos” – levando com elles toda a semente da discordia e a cizania que estão espalhando, à mão aberta, entre nós.

Queriam talvez que eu virasse isto aqui a “frege”, tornando a “Secção Trabalhista” da “A PATRIA” em orgão bolchevista!…

Havia de dar o que fallar, não há duvida!

Quanto seja convocações, pequenas notas e communicados – vindos de associações operarias, de grupos e até de partidos operarios, vá! Tudo publicaremos, sem olhar para a sua côr. Mas artigos de propaganda, etc…, ah! meus caros trastes, tende paciencia! Posso ser … anarchista, puritano … o que quiserdes, menos duas coisas: bolchevista e burro.

Marques da Costa

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia 15 de abril de 1923.

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