OS DICTADORES DA FEDERAÇÃO

É forte o adjectivo, mas é merecido – O Comité Federal está cheio delles – Fazem o que entendem e…têm a sorte inaudita de haver associações que os apoiam.

Seria necessario perder algum tempo a esclarecer que não estamos movendo, proposital e systematicamente, nenhuma campanha contra as possibilidades de vida que a Federação dos Trabalhadores do Rio de Janeiro ainda conte.

Mas não o fazemos porque não nos acreditariam – nem quereriam, os nossos adversarios escutar as razões que expusessemos…

Explicaremos, entretanto, que tudo quanto havemos dito e continuaremos dizendo da Federação, não visa em particular, nenhuma das associações que a compõem, mas sim a obra nefasta que o Comité Federal e alguns militantes dessas associações estão conseguindo desenvolver.

O comité, pese isto aos que pretendem affirmar o contrario, age descricionariamente.

Faz o que entende. E as associações que integram a F.T.R.J. “gramam”, em silencio, tudo quanto os seus delegados entendem de realizar.

Apparentando uma autonomia que na verdade não existe, tem vindo algumas daquellas associações publicando protestos, moções de solidariedade, recusas de demissões, etc., como se se tratasse de iniciativas proprias, de gestos expontaneos. Mas toda gente sabe que as associações assim têm procedido por insinuações e determinações préviamente estudadas e decididas entre o Comité.

Dum membro da Commissão Executiva, do Centro dos O. das Pedreiras, ouvimos esta:

– “Ainda há dias nós recebemos do Comité Federal um officio, onde se dizia: ou esse Centro dá plenos poderes ais seus delegados ou é melhor que se desfedere…”

– E o Centro, o que resolveu – interpelamos.

– “Nós, a Commissão Executiva, tratamos do assumpto durante a ultima reunião e dêmos amplos poderes aos nossos representantes.”

Isto, como se vê, é bastante eloqüente!…

Quero dizer que o Comité desejando fazer obra por sua conta exigiu carta branca para os seus membros.

Deram-lhe essa carta?

Com relação a algumas associações, onde as commissões executivas são apenas executivas, acontece o mesmo que no Centro dos Operarios das Pedreiras.

E se os delegados da Alliança dos T. em Marcenaria não obtiverem permissão para exercerem funcções tão latas…o certo é que esta associação, por força dos termos do pacto de solidariedade, está sujeita ao que a maioria resolver.

Há um recurso, que consiste em não pactuar nas coisas que lhe desagradam.

Mas este é um recurso extremo; exigiria a quebra desse pacto; traria a ruina immediata dessa parêde que embora esboracada ainda está servindo de negaça aos que, por estarem longe ou alheios ao que está se passando entre nós, julgam ser a F.T.R.J. uma coisa consideravel.

E os militantes da Alliança tambem não querem dar esse baque na éftêérrejóta…

Deverão sentir-se constrangidos quando pretendem affirmar que a Alliança se mantem fiel aos principios e methodo de acção contidos nas suas bases de accôrdo, visto que o Comité Federal proclamou ter a Federação dos T. do Rio de Janeiro modificado a sua tactica e sua orientação.

Mas o que é verdade é que o Comité, animado pela tolerancia havida para com todos os seus actos, continua prégando a “centralisação de todas as forças”; a “frente única com todos os elementos do proletariado”; faz projectos de reoganização incompativeis com a letra dos seus proprios estatutos…e os marceneiros calam!

Que significa isso?

Isto não é mais do que subordinação, obediencia céga, disciplinar, aos dictames do Comité.

A F.T.R.J. convoca todas as associações locaes para um entendimento, no intuito de promover a sua reorganização.

Todas (aquellas com quem realmente se podia contar) accorrem ao sua chamado Comité, quando esse accordo começa a ter visus de realização, afasta-se, concita as cinco associações federadas a não entrarem nesse accordo, visto que não é possivel realisal-o conforme os seus desejos…e orienta-as e impelle-as para o seios dos cooperativistas da Confederação “que o governo fundou, orienta e mantem”.

Será preciso mais, para mostrar que nas associações adherentes à F.T.R.J. não existe o menor indicio da sua autonomia que se apregôa?

Não estará sufficientemente demonstrado o abuso que o Comité faz das suas rettribuições simplesmente coordenadoras executivas?

Os abusos dagora são os mesmos que motivaram o afastamento das associações que estão empenhadas na constituição do novo organismo federativo.

E a nossa esperança está em que as associações virão a comprehender o erro em que laboram, desautorizando aquelles que, abusando da confiança de que têm sido depositarios, estão praticando a negação dos seus principios para attingirem fins que o syndicalismo revolucionario jamais preconisou.

Rio, 18 de agosto de 1923

Marques da Costa

 

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia 21 de agosto de 1923.

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