Dos que estão longe…

Uma calorosa mensagem dirigida à União dos Operarios em Construcção Civil

São dois velhos camaradas que vos saudam. Longe de vós! Nestas plagas do sul, o nosso pensamento está convosco. Lembrarmo-nos da Construcção Civil é recordar as luctas grandiosas do proletariado consciente do Rio de Janeiro. Fostes vós quem forneceu o maior numero de combatentes para os movimentos de 917, 19 e 21, movimentos estes, que se não attingiram ao nosso sonho idealístico, foram no emtanto, bellas affirmações da sublime rebeldia que há de levar os povos ao portico da liberdade.

Ainda quando os corvos, cobertos de brancas plumas, procuraram mistificar o ideal anarchico, quem foi que forneceu os mais aguerridos batalhadores para o combate ao Partido Communista?

Fostes vós, camaradas. Foi da Construcção Civil que sahiu a moção dynamica que obrigou a separação do joio do trigo, foi ainda da Construcção Civil que sahiu este grupo de denodados batalhadores que de viseira erguida e peito descoberto, aparou os mistificadores golpes.

À perseguição fostes ainda vós que fornecestes maior numero. Perseguições, deportações, cadeias e agressões fascio-communistas, nada vos tem atemorizado e continuaes impavidos na luta pelo ideal contra as mesquinhas ambições dos burguezes e dos pretensos dictadores.

O futuro é a liberdade sem peias, devastando os ares, espancando os bulcões. E o passado este é o do negrume infinito do absolutismo da dictadura antigmada e do governo do homem pelo homem

¾

Esta mensagem está subscrita por dois velhos militantes do syndicalismo revolucionario, que têm vindo a dar continuas provas ao seu amor à causa da emancipação humana. Os seus nomes, todavia, convem occultal-os…por enquanto. Trata-se de individuos cuja liberdade está regulada pelas Chefaturas de policia…

A belleza deste regimen!!

Marques da Costa

 

Artigo publicado na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia 8 de julho de 1923.

Nota: Os “dois velhos militantes do syndicalismo revolucionario” são, provavelmente, Domingos Passos e Henrique Ferreira, ambos integrantes da U.O.C.C. e que estavam desde abril no Sul do país escapando das perseguições da Polícia carioca.

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