AS CHARALATANICES DO ATREVIDAÇO

 

Num artigo que publiquei n’A Pátria de abril próximo findo, relembrei com saudade o nome daquele que em vida se chamou Octávio Brandão e, justíssimamente indignado, noticiei os processos indecorosos de que está usando certo tipóide que por ter a cara e o corpo idênticos ao corpo e a cara do “falecido” entendeu de fazer passar por este, sustentando como fato consumado uma impossível e inadmissível ressurreição.

Certo é que já tem acontecido um simples ataque epilético ser tomado como um caso fatal e, nessas condições, chega-se até a enterrar o desgraçado…Mas tal não se deu com o nosso querido e saudoso Octávio, e daí eu sustentar ainda que o atrevidaço que por aí anda usando o seu nome e deturpando a sua obra, não passa de um charlatão.

Se fosse mentirosa a notícia da sua morte, já o meu inditoso amigo me haveria tirado desse hipotético equívoco.

Mas não é possível! O nosso Brandão já não vive…

Embora deseje imensamente não ter relações com o atrevido falsificador da “Pílulas d’Octávio”, vejo-me forçado a dar troco a uma nota que “A Voz Cosmopolita” de 1° deste mês publicou, assinada pelo audacioso chasqueador e na qual se esforçava, o atrevido, por fazer crer ser eu o responsável pela não publicação no “A Pátria” dum manifesto firmado por “um comunista”.

Nada há de mais “asnático” do que essa afirmação. Mas apesar disso eu quero, já que consegui “parar o carro”, dar “sabão no eixo”…

O manifesto cuja publicação o pseudo-Brandão se queixa, não era absolutamente um manifesto “contra o fascismo”. Era sim o de um perfeito jacobino contra os pretensos “ladrões d’além mar”, o brado de um “chauvinista” contra a ”ralé e contra a escória das Suburras italianas” que, segundo aquele “comunista”, pretendia vir “fazer manifestações” em terra do Tio Peta…

Eis o que o tal manifesto que “A Pátria” não publicou e que eu sinceramente desejei ver em letra gorda.

– ? ! !

Eu me explico.

O Brandão – o “falecido” – apesar de anarquista, tinha de vez em quando arrancos dignos do mais acabado nacionalista (!), toda gente sabe. E o pseudo-Octávio, no propósito de explorar todos esses pequeninos “quês”, deu ao manifesto em questão aquele sabor jacobina…

Exagerou, porém, o charlateanador, a ponto de se afastar desastradamente do conhecido nacionalismo de Salomoção e de Brand.

Marques da Costa

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia 9 de maio de 1923.

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