Fundado em 8 de dezembro de 2004, com o objetivo de trazer à tona a história do anarquismo no Brasil, e principalmente no Rio de Janeiro, o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa (NPMC) funciona no âmbito da Biblioteca Social Fábio Luz. O NPMC divulga trimestralmente um boletim com textos próprios, chamado emecê. O português José Marques da Costa foi um grande militante que lutou pela organização dos sindicatos revolucionários cariocas, na primeira metade dos anos 1920.

Marques da Costa

marques_da_costaO anarquista José Marques da Costa foi um dos grandes lutadores pela organização dos sindicatos revolucionários cariocas na primeira metade dos anos 20. Natural de Portugal e carpinteiro de profissão, emigrou para o Brasil em 1917, fixando-se, inicialmente, em Belém do Pará. Ali ingressa no Sindicato da Construção Civil, tendo exercido sua militância naquela cidade e em Manaus entre 1917 e 1920. Em 1919 dirige o jornal A Revolta em Belém e, logo a seguir, O Trabalhador, órgão da Federação Operária do Pará. Ainda no Pará, em 1920, redigiu O Semeador, publicação sindicalista revolucionária.

Em fins de 1920 Marques da Costa muda-se para o Rio de Janeiro que então era palco de feroz perseguição ao anarquismo e ao sindicalismo revolucionário. Em vista de sua capacidade como orador é indicado como secretário-geral da Federação Operária do Rio de Janeiro e em seguida passa a coordenar Voz do Povo, órgão hebdomanário da FORJ. Suas atividades como jornalista no Rio de Janeiro compreenderam ainda a fundação da revista Renovação (início de 1921) em que combate os ex-anarquistas “astrojildistas” fundadores do PCB e do jornal O Trabalhador.

Marques da Costa também colaborou em O Emancipado, dirigido por Fábio Luz, e Spartacus com José Oiticica. Mas sua maioir colaboração talvez tenha sido repórter responsável entre 1922-1924 pela seção trabalhista do jornal A Pátria, que se constitui em um marco na defesas dos sindicatos revolucionários contra os ataques do governo ditatorial de Artur Bernardes, dos bolchevistas do PCB e seus alidados cooperativistas (“amarelos”). A consulta àquela coluna constitui ijmportante fonte de estudo histórico do movimento social da época. Preso por haver discursado durante o comício de 1 de Maio na Praça Mauá no Rio, as autoridades não encontram pretexto para deportá-lo, o que só vem a ocorrer quando de sua nova prisão após a revolução paulista de 5 de julho de 1924. Em agosto daquele ano Marques da Costa já está em Lisboa.

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